Medidas começam em setembro e atingem cerca de 700 produtos americanos, enquanto Ottawa prepara bilhões de dólares em apoio à economia.
O governo do Canadá anunciou nesta terça-feira (25) novas tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos, em uma resposta às medidas comerciais adotadas por Washington. As sobretaxas, que entram em vigor em 8 de setembro de 2026, alcançam aproximadamente C$ 27,6 bilhões em mercadorias americanas e ampliam a tensão econômica entre os dois países.
Canadá amplia resposta às tarifas americanas
A nova rodada de medidas representa uma escalada na disputa comercial entre Canadá e Estados Unidos. Ottawa decidiu aplicar tarifas sobre aproximadamente 700 produtos americanos, com percentuais diferentes conforme a categoria atingida.
As alíquotas previstas são de 15%, 25% e 50%. A estrutura foi definida pelo governo canadense como uma resposta proporcional às tarifas impostas recentemente pelos Estados Unidos sobre mercadorias canadenses.
Segundo o governo do Canadá, a intenção é adotar uma reação equivalente às medidas de Washington, procurando reduzir a desvantagem enfrentada por empresas canadenses diante das novas condições comerciais.
A decisão ocorre em um momento de forte integração entre as duas economias. Empresas dos dois países dependem de componentes, matérias-primas e produtos que atravessam regularmente a fronteira, o que aumenta o potencial de impacto da disputa.
Aço, alumínio e equipamentos estão entre os produtos atingidos
A lista de produtos escolhidos pelo Canadá concentra setores considerados estratégicos para sua economia. Entre eles estão aço, alumínio, eletrodomésticos, produtos lácteos, equipamentos agrícolas, papel, celulose e componentes eletrônicos.
A maior tarifa, de 50%, será aplicada a determinadas categorias de aço e alumínio. Alguns desses produtos já estavam sujeitos a uma sobretaxa menor e passarão por uma elevação da proteção tarifária.
Produtos como eletrodomésticos, determinados tipos de queijos, pescados e frutos do mar e algumas mercadorias relacionadas ao aço e ao alumínio ficarão sujeitos à tarifa de 25%.
Uma terceira faixa, de 15%, será aplicada a outras categorias incluídas na lista definida pelo governo canadense.
A escolha dos setores mostra que Ottawa pretende concentrar a resposta em segmentos específicos, em vez de estabelecer uma sobretaxa generalizada sobre todos os produtos americanos.
Medidas entram em vigor em setembro
As novas tarifas começarão a valer em 8 de setembro de 2026. Até lá, empresas dos dois países terão de avaliar como as mudanças poderão afetar contratos, fornecedores, preços e operações comerciais.
O governo canadense afirma que a medida foi desenhada para proteger empresas e trabalhadores domésticos diante das novas barreiras impostas pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, Ottawa reconhece que uma política de retaliação pode produzir efeitos dentro do próprio Canadá. Produtos importados mais caros podem elevar custos para empresas e consumidores e reduzir as opções disponíveis no mercado.
Esse equilíbrio será um dos principais desafios para o governo canadense durante a continuidade da disputa.
Ottawa anuncia pacote de C$ 7,5 bilhões
Além das tarifas, o governo do Canadá anunciou aproximadamente C$ 7,5 bilhões em medidas de apoio para empresas e trabalhadores afetados pela guerra comercial.
O pacote pretende oferecer instrumentos para que setores atingidos consigam atravessar o período de instabilidade, preservar empregos e adaptar suas operações diante das novas condições do comércio internacional.
De acordo com o governo canadense, os novos recursos se somam a cerca de C$ 25 bilhões em medidas de apoio disponibilizadas desde o início da atual fase da disputa tarifária.
A estratégia combina, portanto, pressão sobre os produtos americanos com medidas internas destinadas a reduzir os efeitos da guerra comercial sobre a economia canadense.
Energia fica fora desta nova rodada
Apesar da amplitude da retaliação, o Canadá decidiu não incluir o setor de energia nessa nova ofensiva tarifária específica.
A escolha tem peso econômico porque Canadá e Estados Unidos possuem uma relação bastante integrada no setor energético. Uma interrupção ou elevação significativa dos custos nesse segmento poderia provocar consequências para os dois mercados.
Ao deixar a energia fora da lista, Ottawa sinaliza uma tentativa de concentrar a pressão em setores específicos sem atingir diretamente uma das áreas mais sensíveis da relação econômica entre os países.
A estratégia também pode limitar parte dos efeitos negativos que uma retaliação mais ampla provocaria dentro do próprio Canadá.
Disputa aumenta a pressão sobre empresas
As novas tarifas podem afetar empresas que dependem de produtos ou componentes importados dos Estados Unidos. Quando uma mercadoria passa por uma cadeia produtiva que envolve os dois países, uma tarifa adicional pode aumentar o custo das etapas seguintes.
Fabricantes canadenses que utilizam equipamentos, peças ou matérias-primas americanas podem enfrentar despesas maiores. Em alguns casos, as empresas terão de absorver parte desses custos; em outros, poderão repassá-los aos consumidores.
O efeito também ocorre no sentido contrário. Empresas americanas que dependem de produtos canadenses ficam expostas às tarifas adotadas por Washington e às novas medidas de retaliação de Ottawa.
O resultado é um cenário de maior incerteza para setores que construíram suas operações com base em uma relação comercial altamente integrada.
Negociações entre os dois governos perderam força
A nova ofensiva tarifária ocorre depois de tentativas de negociação entre Canadá e Estados Unidos.
O governo canadense afirma que buscou uma solução mais ampla para a disputa, mas avaliou que as condições apresentadas recentemente pelos Estados Unidos não eram aceitáveis.
Diante desse impasse, Ottawa optou por responder às medidas americanas em vez de aceitar um acordo que, segundo sua avaliação, poderia prejudicar empresas, trabalhadores e setores considerados estratégicos.
A decisão aumenta a pressão para que os dois governos encontrem uma saída para a disputa, já que a permanência prolongada das tarifas pode afetar investimentos, preços e cadeias produtivas nos dois lados da fronteira.
Conclusão:
O Canadá entrou em uma nova fase da disputa comercial com os Estados Unidos ao anunciar tarifas de até 50% sobre cerca de 700 produtos americanos. As medidas começam em setembro e serão acompanhadas por um pacote de C$ 7,5 bilhões destinado a reduzir os efeitos da crise sobre empresas e trabalhadores.
O próximo passo dependerá da duração das tarifas e da capacidade dos dois governos de retomarem as negociações. Enquanto isso, empresas e consumidores dos dois países terão de lidar com um ambiente comercial mais caro e imprevisível.
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