Presidente do PSD questiona desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro e trabalha para ampliar espaço de Ronaldo Caiado na disputa presidencial.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, voltou a questionar a capacidade de Flávio Bolsonaro (PL) de vencer uma eventual disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao mesmo tempo, Kassab reforçou a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) como alternativa dentro do campo oposicionista, em meio à disputa pelo eleitorado de direita e centro-direita.
Kassab coloca rejeição no centro da discussão
As declarações de Kassab estão baseadas principalmente em sua interpretação sobre pesquisas eleitorais e índices de rejeição dos candidatos. Para o dirigente do PSD, esses indicadores precisam ser considerados na definição de uma candidatura competitiva para a Presidência.
Um levantamento do instituto Indexa realizado em julho mostrou Flávio Bolsonaro com 50% de rejeição, enquanto Lula registrou 49%. Ronaldo Caiado apareceu com 35%. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas entre 16 e 19 de julho e tinha margem de erro estimada em 2,2 pontos percentuais.
Outro levantamento, divulgado em julho pelo instituto Genial/Quaest, apontou Flávio com 57% de rejeição e Lula com 50%. Os números mostram que a resistência aos principais nomes da disputa permanece como um dos elementos presentes no cenário eleitoral.
Kassab utiliza esse contexto para sustentar sua crítica a Flávio e defender que o PSD mantenha uma candidatura própria na eleição presidencial.
PSD aposta em Ronaldo Caiado
A estratégia do partido tem Ronaldo Caiado como protagonista. O ex-governador de Goiás foi oficializado pelo PSD como candidato à Presidência, enquanto Kassab integra a chapa como candidato a vice-presidente.
A proposta política apresentada pelo partido busca colocar Caiado como um nome de oposição ao governo Lula, mas fora da estrutura política diretamente ligada à família Bolsonaro.
Caiado, por sua vez, iniciou sua campanha reforçando temas como segurança pública e críticas ao governo federal. Em seus primeiros atos eleitorais, também procurou se apresentar como uma alternativa dentro do campo oposicionista.
A movimentação mostra que o PSD pretende disputar diretamente uma parcela do eleitorado que deseja uma mudança no governo federal, mas que pode não estar necessariamente vinculada ao grupo político de Jair Bolsonaro.
Disputa pelo eleitorado de direita ganha força
A eleição de 2026 apresenta uma disputa adicional dentro do campo oposicionista. Flávio Bolsonaro conta com a identificação política construída pela família Bolsonaro ao longo dos últimos anos, enquanto Caiado tenta ampliar seu espaço entre eleitores que procuram outro nome para enfrentar Lula.
Essa disputa pode ganhar importância principalmente na formação do segundo turno. Para chegar à etapa final, os candidatos precisam ampliar suas bases e conquistar eleitores que não fazem parte de seus grupos mais fiéis.
As pesquisas mais recentes mostram que o cenário ainda é competitivo. Um levantamento BTG Pactual/Nexus divulgado em agosto apontou Lula com 47% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno, dentro de um quadro de disputa apertada.
Os números, entretanto, representam um retrato do momento em que a pesquisa foi realizada e não determinam o resultado da eleição.
Centrão também entra no cálculo político
Kassab também passou a destacar o comportamento dos partidos que ocupam uma posição de centro no Congresso Nacional.
Na avaliação do presidente do PSD, a ausência de uma adesão mais ampla dessas legendas à candidatura de Flávio pode abrir espaço para o crescimento de outros nomes da oposição. O dirigente relaciona essa movimentação à tentativa do PSD de fortalecer Caiado nacionalmente.
A formação de alianças será especialmente relevante durante a campanha porque partidos nacionais possuem estruturas nos estados e podem contribuir para a organização dos palanques regionais.
O cenário, contudo, ainda está em transformação. As alianças estaduais, os acordos partidários e a evolução das pesquisas podem modificar a configuração da disputa até a votação.
Caiado busca ampliar seu espaço eleitoral
O desafio do candidato do PSD é transformar sua estrutura partidária e sua experiência política em crescimento nacional.
Uma pesquisa Indexa realizada em julho mostrou que 32% dos entrevistados consideravam possível votar em Caiado, enquanto 35% afirmavam que não votariam nele. O levantamento também registrou 4% de eleitores que diziam ter certeza de que votariam no candidato.
Esses números indicam que Caiado ainda possui espaço para ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores, ao mesmo tempo em que precisa transformar essa possibilidade de voto em intenção efetiva durante a campanha.
A estratégia do PSD dependerá, portanto, da capacidade de levar a candidatura para além de sua base regional e consolidá-la como uma opção nacional.
Flávio responde à pressão dentro da oposição
As críticas de Kassab e do próprio Caiado colocaram os dois grupos em confronto direto pelo eleitorado oposicionista.
Flávio Bolsonaro tem defendido que sua candidatura representa a continuidade do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Já Caiado procura construir uma identidade própria e afirma que sua candidatura também se posiciona contra o governo Lula.
O embate mostra que a disputa presidencial não está limitada ao confronto entre governo e oposição. Existe também uma competição dentro do próprio campo oposicionista pela definição de quem terá condições de ocupar espaço na segunda etapa da eleição.
Conclusão:
As declarações de Gilberto Kassab reforçam uma estratégia clara do PSD: manter Ronaldo Caiado no centro da disputa presidencial e questionar a capacidade eleitoral de Flávio Bolsonaro. O partido aposta que a eleição poderá abrir espaço para uma candidatura de oposição com identidade própria.
O cenário, porém, continua sujeito a mudanças. Pesquisas, alianças, desempenho dos candidatos durante a campanha e decisões tomadas nos estados ainda podem alterar a composição da disputa. Para o eleitor, os próximos meses devem revelar se a competição dentro da oposição ganhará força ou se algum dos nomes conseguirá ampliar significativamente sua base eleitoral.
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