Deputado do PL é investigado por suspeitas que envolvem emendas, tráfico de influência, corrupção e possíveis negociações relacionadas a processos judiciais.
O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) foi alvo, nesta segunda-feira (14), de uma operação da Polícia Federal que investiga possíveis esquemas envolvendo influência política, emendas parlamentares e negociações relacionadas a processos judiciais. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal.
PF investiga possível negociação de influência
A investigação procura esclarecer se pessoas ligadas ao grupo investigado teriam oferecido a terceiros a possibilidade de interferir no andamento de processos em tribunais superiores em troca de pagamentos.
Entre as suspeitas analisadas estão exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, os investigadores encontraram indícios de negociações envolvendo valores elevados e supostas promessas de atuação junto a autoridades.
Até o momento, porém, a investigação não identificou participação de integrantes do Poder Judiciário no esquema sob apuração. Essa distinção é importante porque a existência de uma suspeita envolvendo intermediários não significa que tenha ocorrido interferência efetiva em decisões judiciais.
Cezinha é investigado no caso e não foi condenado. A apuração ainda depende da análise dos materiais recolhidos durante a operação.
Deputado tem atuação ligada à bancada evangélica
Antonio Cezar Correia Freire, conhecido como Cezinha de Madureira, construiu sua carreira política antes de chegar à Câmara dos Deputados.
Ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, em São Paulo, o parlamentar também teve trajetória na comunicação e ocupou anteriormente uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista. Em 2018, foi eleito deputado federal e posteriormente conseguiu um novo mandato.
Atualmente filiado ao PL, Cezinha ocupa a função de secretário de Transparência da Câmara. Sua atuação parlamentar inclui participação em comissões e apresentação de emendas ao Orçamento da União.
A posição que ocupa dentro do Congresso aumenta a relevância política do caso, especialmente porque a investigação também examina possíveis relações entre agentes públicos e interesses privados.
Relação com André Mendonça entra no foco da investigação
Um dos pontos que ganharam importância na apuração é a relação de Cezinha com o ministro André Mendonça, do STF.
O deputado teria participado da aproximação entre Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em um encontro realizado em março de 2025.
Mendonça confirmou posteriormente que a reunião aconteceu em um instituto ligado a ele, em São Paulo. Segundo o ministro, Cezinha participou da intermediação do encontro por meio de contatos relacionados ao ambiente religioso.
Mendonça também afirmou que a conversa não envolveu negócios do banco. De acordo com a explicação apresentada pelo ministro, o assunto estava relacionado a uma questão judicial envolvendo a Suspensão de Tutela Provisória 976, processo ligado ao pagamento de precatórios e a prejuízos atribuídos à empresa Agroindustrial Tabu.
A reunião passou a ganhar relevância diante da investigação atual porque os investigadores buscam compreender como funcionavam as relações entre políticos, advogados, empresários e pessoas interessadas em decisões judiciais.
Investigação começou com suspeitas sobre emendas
A apuração não surgiu inicialmente a partir da relação de Cezinha com tribunais superiores.
A investigação começou em dezembro de 2025 com foco em possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares. Com o avanço das diligências, a Polícia Federal passou a examinar outras relações envolvendo pessoas próximas aos investigados.
A nova etapa ampliou o alcance da investigação para possíveis negociações envolvendo processos judiciais e supostas promessas de influência.
O objetivo agora é descobrir se contatos políticos e institucionais foram utilizados para oferecer acesso a autoridades ou interferência em processos em troca de dinheiro.
Advogada também aparece entre os alvos
A advogada Valéria Rodrigues Linhares também foi alvo da operação. O nome dela já havia surgido anteriormente durante a investigação, quando agentes apreenderam R$ 510 mil em dinheiro vivo no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Valéria possui ligação empresarial anterior com o filho de Cezinha em uma rádio paulista. Registros de acesso ao Ministério das Comunicações também apontaram a presença dos dois no local em períodos coincidentes durante 2024.
A advogada negou ser esposa do deputado e afirmou ser divorciada do pai de seus filhos. Sua defesa informou que pretende analisar integralmente os autos para compreender os elementos utilizados para justificar as medidas determinadas pela Justiça.
A apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais nesta nova fase poderá fornecer informações adicionais para esclarecer essas relações.
O que os investigadores ainda precisam esclarecer
A Polícia Federal deverá analisar o material recolhido durante as buscas para tentar reconstruir possíveis relações financeiras e institucionais entre os envolvidos.
Um dos pontos centrais é verificar se houve pagamentos relacionados a promessas de influência sobre processos judiciais. Outro é identificar se alguma atuação efetiva ocorreu depois dessas eventuais negociações.
Também será necessário determinar se as relações mantidas pelos investigados foram utilizadas de maneira legítima, como contatos políticos ou profissionais, ou se teriam sido empregadas para oferecer vantagens indevidas a interessados em processos.
A investigação ainda está em andamento. Portanto, as suspeitas levantadas pela PF precisarão ser confrontadas com os documentos, depoimentos e demais provas que forem reunidos durante as próximas etapas.
Conclusão:
A operação coloca Cezinha de Madureira no centro de uma investigação que busca esclarecer possíveis conexões entre política, interesses privados e processos judiciais. O caso envolve suspeitas graves, mas ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do deputado ou dos demais investigados.
Os próximos passos dependerão principalmente da análise do material apreendido e da evolução das diligências. A questão central será descobrir se houve, de fato, negociação de influência sobre processos judiciais ou se as suspeitas não serão confirmadas pelos elementos reunidos pela Polícia Federal.
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