O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança e Lula (PT) em segundo lugar. Com 99,99% das urnas apuradas, o senador recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, contra aproximadamente 53,9 milhões do presidente, deixando uma diferença de 2,2 milhões para a disputa decisiva de 25 de outubro.
Flávio termina primeiro turno na frente
O resultado colocou Flávio Bolsonaro em uma posição de vantagem para o segundo turno, mas não encerrou a disputa pela Presidência. A diferença entre os dois principais candidatos foi relevante em números absolutos, embora ainda deixe milhões de eleitores fora das duas candidaturas.
Com 47,03% dos votos válidos, Flávio terminou à frente de Lula, que alcançou 45,16%. O desempenho representa uma mudança importante em relação ao primeiro turno de 2022, quando Lula havia obtido 48,4% dos votos válidos.
Na comparação com aquela eleição, Lula recebeu cerca de 3,4 milhões de votos a menos. O percentual registrado em 2026 também ficou abaixo dos resultados obtidos pelo petista nos primeiros turnos de 2002, 2006 e 2022.
A votação de Lula foi de 46,4% em 2002, 48,6% em 2006 e 48,4% em 2022. O resultado atual, portanto, mostra uma redução de sua votação proporcional justamente antes da etapa decisiva da eleição.
Bolsonarismo amplia votação presidencial
O desempenho de Flávio também chama atenção quando comparado ao resultado de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
Naquela eleição, Jair Bolsonaro recebeu aproximadamente 51,1 milhões de votos. Quatro anos depois, Flávio ultrapassou essa marca e chegou a cerca de 56,1 milhões.
A diferença representa aproximadamente 5 milhões de votos a mais e indica que a direita conseguiu preservar uma capacidade significativa de mobilização eleitoral mesmo com a substituição do candidato presidencial.
O resultado também não ficou restrito à disputa pelo Palácio do Planalto. O avanço do campo político de direita apareceu na composição do Congresso e em diferentes disputas estaduais.
PL amplia espaço no Senado
O Senado será uma das principais consequências políticas do resultado eleitoral. O PL conquistou 19 das 54 cadeiras que estavam em disputa e, somando os parlamentares da legenda que já tinham mandato garantido desde 2022, poderá chegar a 28 senadores na composição prevista para 2027.
O Novo também ampliou sua representação, conquistando três cadeiras.
Juntas, as duas legendas poderão alcançar 31 senadores, número próximo de 40% da composição da Casa. Outras siglas alinhadas à direita, como Republicanos e PP, ainda podem ampliar esse campo de apoio.
O novo equilíbrio poderá dificultar a aprovação de projetos de um eventual governo Lula, caso as bancadas mantenham posições contrárias ao Executivo. Para qualquer presidente eleito, construir maioria no Senado será uma tarefa central a partir de 2027.
Esquerda enfrenta redução de espaço
O resultado das urnas também alterou a distribuição de forças entre os partidos de esquerda.
O PT conseguiu manter suas dez cadeiras, mas não aumentou sua bancada. O PSB, por outro lado, reduziu sua representação de sete para três senadores. O PDT passou de duas cadeiras para uma.
A Rede, que não tinha representante na Casa, conquistou uma vaga.
O cenário aumenta o peso de partidos de centro e direita nas negociações do Senado. A nova composição deverá influenciar votações importantes, indicações para órgãos públicos e a relação entre o Congresso e o próximo governo federal.
Entre as derrotas de maior repercussão estão as de Gleisi Hoffmann e Randolfe Rodrigues, dois nomes com atuação nacional.
Minas Gerais muda o mapa eleitoral
Minas Gerais aparece entre as mudanças mais relevantes do primeiro turno. O estado havia dado vantagem a Lula em 2022, mas desta vez terminou com Flávio Bolsonaro na liderança.
O resultado mineiro possui peso político porque o estado é um dos principais colégios eleitorais do país e historicamente recebe atenção especial nas disputas presidenciais.
Tocantins também mudou de posição em relação ao pleito anterior, passando de uma vantagem de Lula para uma liderança de Flávio.
Os dados eleitorais apresentados na base desta matéria indicam ainda que Lula deixou de ser o candidato mais votado em 714 municípios onde havia liderado no primeiro turno de 2022.
A mudança mostra que a disputa de 2026 não reproduziu simplesmente o mapa eleitoral de quatro anos atrás.
Flávio lidera em 15 estados e no Distrito Federal
A vantagem de Flávio ganhou dimensão nacional. O candidato terminou o primeiro turno como o mais votado em 15 estados e no Distrito Federal.
Entre as unidades federativas onde ficou à frente estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Tocantins e Roraima, além do Distrito Federal.
Lula preservou sua força principalmente no Nordeste. O presidente venceu na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Também terminou na frente em estados como Pará e Amapá.
O mapa revela uma divisão regional importante e indica onde cada campanha deverá concentrar esforços na reta final.
Direita também conquista espaço nos estados
A expansão da direita ultrapassou a eleição presidencial e chegou às disputas pelos governos estaduais.
O PL, que atualmente governa Santa Catarina, ampliou seu número de possíveis governos para o próximo ciclo. Entre os estados citados na apuração estão Paraná, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, considerando os resultados e as disputas que ainda dependiam de segundo turno quando aplicável.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) terminou a primeira etapa na liderança, com 49,3% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, ficou em segundo.
No Amazonas, Professora Maria do Carmo, também do PL, avançou para a segunda etapa.
O resultado cria uma presença maior da direita nos governos estaduais e fortalece uma rede política que poderá ter influência nas próximas disputas nacionais.
Aliados de Lula sofrem derrotas importantes
A eleição também produziu perdas entre políticos próximos ao governo federal.
Gleisi Hoffmann não conseguiu conquistar uma vaga para retornar ao Senado pelo Paraná. Randolfe Rodrigues, que exerce a liderança do governo no Congresso, também não estará na próxima composição da Casa.
Em Alagoas, Renan Filho, ex-ministro dos Transportes do governo Lula, perdeu a disputa pelo governo estadual. Seu pai, Renan Calheiros, também não conseguiu renovar o mandato de senador.
No Pará, a candidata apoiada pelo governador Helder Barbalho não venceu a disputa pelo governo. Em Minas Gerais, Patrus Ananias também foi derrotado na eleição para o Senado.
Os resultados mostram que a proximidade com o governo federal não garantiu, por si só, a vitória de seus aliados nas urnas.
Conclusão:
O primeiro turno de 2026 deixou Flávio Bolsonaro em vantagem numérica, mas a eleição presidencial ainda será decidida no segundo turno. Lula terá de reduzir uma diferença superior a 2 milhões de votos e buscar apoio entre os eleitores que ficaram fora das duas principais candidaturas.
Além da Presidência, a nova correlação de forças no Senado e o avanço da direita em diferentes estados devem pesar sobre o próximo ciclo político. O resultado de 25 de outubro definirá não apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também em que ambiente parlamentar o próximo presidente terá de governar.
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