A percepção sobre a economia brasileira continua negativa entre os eleitores, embora tenha melhorado em relação ao levantamento anterior. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (24) mostra que 50% classificam a situação econômica como ruim ou péssima, enquanto 17% fazem uma avaliação positiva.
Avaliação negativa da economia perde força
O levantamento mostra que metade dos entrevistados mantém uma percepção desfavorável sobre o cenário econômico nacional. Outros 32% consideram a situação regular e 17% avaliam a economia como boa ou ótima.
Apesar do resultado ainda negativo, houve uma mudança em relação à pesquisa anterior. Na rodada divulgada em 17 de agosto, 53% classificavam a economia como ruim ou péssima. Agora, esse grupo recuou três pontos percentuais.
A parcela que considera o cenário regular também aumentou, passando de 28% para 32%. Já a avaliação positiva permaneceu no mesmo patamar, com 17%.
Expectativa para os próximos seis meses é mais positiva
Quando a pergunta passa da situação atual para as perspectivas para os próximos seis meses, o resultado apresenta um quadro um pouco diferente.
Segundo a pesquisa, 38% dos eleitores acreditam que a economia poderá melhorar muito ou um pouco nesse período. Na rodada anterior, eram 36%.
Ao mesmo tempo, 29% esperam uma piora da economia nos próximos seis meses. Esse percentual era de 28% anteriormente. Outros 23% acreditam que a situação permanecerá praticamente igual, enquanto 10% não souberam responder ou não quiseram opinar.
Os números mostram que a percepção sobre o futuro não acompanha integralmente a avaliação negativa do presente. Mesmo com metade dos entrevistados considerando a economia ruim ou péssima, existe uma parcela relevante que espera algum avanço nos próximos meses.
Expectativa sobre as finanças pessoais também é positiva
A pesquisa identificou uma diferença importante quando os entrevistados foram questionados sobre sua própria situação financeira.
Nesse caso, 43% disseram acreditar que suas finanças pessoais vão melhorar muito ou um pouco nos próximos seis meses. Apenas 13% esperam uma piora.
Outros 35% consideram que sua situação financeira deverá permanecer sem grandes mudanças. O restante corresponde aos entrevistados que não souberam ou não quiseram responder.
A diferença entre os dois indicadores chama atenção: a avaliação da economia nacional permanece majoritariamente negativa, enquanto uma parcela expressiva dos eleitores demonstra confiança de que sua própria condição financeira poderá melhorar.
Comparação com o governo anterior divide os eleitores
O levantamento também perguntou como os entrevistados avaliam a economia durante o governo Lula em comparação com a administração anterior.
Nesse cenário, 43% afirmaram que a situação econômica está pior atualmente. Já 38% disseram perceber melhora, enquanto 15% não identificaram mudança significativa.
O resultado representa uma diferença de cinco pontos percentuais entre as avaliações negativa e positiva.
Esse indicador acrescenta uma dimensão política à percepção econômica. Além de avaliar as condições atuais, os eleitores também estão comparando o desempenho econômico do governo com o período anterior, o que pode influenciar a avaliação da administração federal durante o ciclo eleitoral.
Saúde aparece como principal preocupação
A pesquisa também procurou identificar quais são os problemas que mais preocupam os brasileiros atualmente.
A saúde pública ficou na primeira posição, citada por 32% dos entrevistados. A segurança pública apareceu logo depois, com 31%.
Educação foi mencionada por 21%, enquanto corrupção apareceu com 18%. A classe política foi apontada por 14% dos participantes.
Já inflação, custo de vida e preços elevados foram citados por 11% dos entrevistados.
O resultado mostra que a economia não é percebida de maneira isolada. Questões relacionadas aos serviços públicos, à segurança e às condições de vida também ocupam espaço relevante entre as preocupações da população.
Pesquisa mostra cenário econômico ainda instável
A comparação entre as duas rodadas revela uma mudança pequena, mas relevante, na percepção dos eleitores. A avaliação negativa caiu de 53% para 50%, enquanto a avaliação regular aumentou quatro pontos.
Ao mesmo tempo, a parcela que espera melhora econômica nos próximos seis meses passou de 36% para 38%. Isso indica que parte do eleitorado demonstra uma expectativa mais favorável em relação ao futuro, mesmo sem considerar positiva a situação atual.
A diferença entre a percepção nacional e a expectativa individual também ajuda a explicar a complexidade do cenário. Enquanto 50% classificam a economia brasileira como ruim ou péssima, 43% acreditam que sua própria situação financeira poderá melhorar.
Esses indicadores podem ganhar importância no debate político à medida que a campanha eleitoral avança, principalmente porque a percepção sobre renda, preços, emprego e condições de vida costuma influenciar a avaliação dos governos.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa BTG Pactual/Nexus entrevistou 2.003 pessoas com 16 anos ou mais entre 21 e 23 de agosto de 2026.
As entrevistas foram realizadas por telefone. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Os dados fazem parte da série de levantamentos realizados pelo Nexus em parceria com o BTG Pactual no período que antecede as eleições de 2026.
Conclusão:
A pesquisa mostra um eleitorado que ainda enxerga a economia brasileira de forma predominantemente negativa, mas que apresenta sinais de maior expectativa em relação aos próximos meses. A queda da avaliação ruim ou péssima e o aumento das expectativas de melhora indicam uma percepção que pode continuar mudando conforme os indicadores econômicos e as condições de vida evoluam.
Para o cenário político, o ponto central é que economia, saúde, segurança e educação aparecem conectados ao humor do eleitorado. A forma como esses problemas forem percebidos nos próximos meses poderá ter peso importante na disputa eleitoral e na avaliação do governo.
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